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  • Luiz Trevisani

Quanto mais quente, pior.


Todo mundo tem talento para alguma coisa. Eu suo. É uma das coisas que eu faço melhor. Bastou a temperatura subir um pouquinho que eu já começo a me sentir um mexicano em filme de cowboy: gordo e suarento.


Desnecessário dizer que os últimos verões têm me maltratado bastante. Eu acordo suando. Eu saio do banho suando. Eu fico parado suando. Basta pensar em me levantar da cadeira e pronto: já estou suando outra vez.


Paulo Francis defendia a tese de que o 1º Mundo é mais avançado porque lá é frio. Eu concordo. Imagino que as horas que o sujeito não gasta enxugando o próprio suor são melhor utilizadas pesquisando a cura do câncer ou a solução para o último teorema de Fermat.


Já aqui nos trópicos, a história é outra. Você se concentra e tenta ter uma idéia genial. Ping. Uma gota de suor cai sobre a folha de papel. Então você se levanta e vai pegar uma toalhinha. Quando volta pra mesa você já está todo suado e acaba usando a toalha pra se enxugar.


Aí você se senta novamente, olha para o papel molhado e se lembra que a merda da toalhinha era pra enxugar o papel, e não o pescoço. Você fica puto e mais duas gotas caem da sua testa. Você pega a folha de papel, que a esta altura já não serve pra mais nada mesmo, e seca a testa com ela.


O dia chega ao fim e você não produziu nada além de uma camisa manchada e um par de meias cuja única solução é enterrar.


Futurólogos acreditam que o futuro humano passa necessariamente pela cibernética e que em breve todos teremos implantes de metal em nossos corpos. Tomara que inventem logo uma ventoinha de cérebro.

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