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  • Luiz Trevisani

No princípio era o verbo


Depois vieram os substantivos, os adjetivos, os pronomes e as coordenadas adversativas. Mas, porém, contudo, todavia, entretanto, a coisa não parou aí.


O verbo se fez de besta e criou os tempos verbais. Primeiro, o presente, que ele dá a si mesmo como prova de autoestima. Depois, o futuro e também o pretérito. Gostou tanto que misturou os dois, criando o futuro do pretérito.

Ele pararia aí, não fosse o ímpeto criativo. "E se eu fizesse com que o pretérito fosse ficando imperfeito?", perguntando e respondendo ao mesmo tempo e, de quebra, ainda criando o gerúndio.


Mas este se mostrou um gesto impensado. "Ó Gerúndio, tu que frequenta as mais displicentes conversas, circula por bocas baldias e cérebros inadimplentes, onde estava eu com a cabeça quando lhe trouxe à luz? Ser-lhe-ia assim tão custoso desaparecer de minhas sentenças?"


Para compensar o erro, o Verbo criou o Pretérito Mais-que-perfeito, algo assim como o "Ó do Borogodó" dos tempos verbais.


Só então ele fora feliz.

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