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  • Luiz Trevisani

Não chora não, pai.



Uma das histórias mais tocantes da vida do Rei Pelé tem como pano de fundo a trágica final da Copa do Mundo de 1950, disputada no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. O derrota sofrida para o Uruguai pegou o país inteiro de surpresa. Poucos conseguiam acreditar que aquilo tinha realmente acontecido.


Em sua casa, ao lado do rádio, o pequeno Edson viu seu pai, Dondinho, chorando como uma criança. O menino ficou temporariamente desorientado, talvez por não imaginar que fosse possível ver aquele homem enorme se desmanchando em lágrimas.


Com a pureza no coração que só os meninos de oito anos são capazes de ter, Edson se aproximou de Dondinho e disse, em meio às lágrimas:


- Não chora não, pai. A gente perdeu a Copa, mas um dia eu vou ser grande e eu ganho uma pra você.


Oito anos depois, mais uma vez acompanhando uma final de Copa pelo rádio, Dondinho ouviu seu menino dar um chapéu no marcador dentro da área e fazer um dos gols mais bonitos da história do futebol, o 3º do Brasil na partida contra a Suécia.


É difícil imaginar a emoção desse homem, quando, no último minuto, ouviu a narração de mais um gol de seu filho, seguido do apito final, fechando a goleada e garantindo a conquista daquele troféu tão importante para a alma nacional.

Dondinho viveu para ver Edson crescer, virar um fenômeno cultural, e cumprir por 3 vezes a promessa feita quando ainda era um menino de oito anos - um menino que dizia, para quem quizesse ouvir: "meu maior sonho é jogar tão bem quanto meu pai".

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