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  • Roberto Muggiati

Meu primeiro palavrão



Sou daquela geração que ainda pegou um restinho da velha moeda, o réis – claro, se senti o cheiro do dinheiro foi pelas fímbrias do vintém e do tostão, o conto de réis não passou de um mero conto da carochinha.


E também peguei as sobras da antiga orthographia. Um dia, com mãe e tia, esperava o ônibus na Avenida, ali onde seria erguido o Cine Ópera. Em frente ao ponto do ônibus havia uma grande quitanda com cartazes coloridos que anunciavam suas atrações.


Menino muito exibido, comecei a demonstrar meus talentos na arte de soletrar, lendo o cartaz das FRUCTAS:


Fru-ce-tas! Fru-ce-tas! Fru-ce-tas!


– Pára com isso, menino! Xô, que vexame!...

Eu não tinha a menor ideia do que se tratava, mas, na minha inocência prenhe de malícia, sabia que estava tocando, quase literalmente, num ponto muito sensível do inconsciente coletivo e/ou da anatomia feminina. Sentindo que fazia sucesso junto ao pequeno grupo ali reunido, continuei, a plenos pulmões:


Fru-ce-tas! Fru-ce-tas! Fru-ce-tas!


Para alívio de minhas pobres mãe e tia, o ônibus não demorou a chegar...

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