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  • Luiz Trevisani

Era uma vez em Hollywood - Review


Muita gente acha Quentin Tarantino um gênio. Não é o meu caso. Tarantino, pra mim, ainda é a soma de tudo o que ele assistiu em sua adolescência quando trabalhou em uma videolocadora. Um traveling no estilo de Kurosawa aqui, um flashback à la Orson Wells ali, um close exagerado tipo John Ford e voilá, mais um filme pronto.


Isso posto, não estou afirmando que ele não acerte, ou que não tenha cenas memoráveis em seu portfolio. Ao contrário. Mas ele faz isso de um jeito muito particular.


Qualquer manual de roteiro afirma que, num filme de duas horas, os primeiros 30 minutos servem para apresentar o personagem principal e deixar clara sua necessidade dramática; os 60 minutos seguintes são o filme propriamente dito, onde obstáculos são colocados para dificultar a vida do protagonista; e a meia hora final é a conclusão, onde o sujeito consegue ou não fazer aquilo que passou o filme inteiro tentando.


Com Tarantino não tem nada disso. Seu mais recente trabalho, "Era Uma Vez em Hollywood", apresenta os protagonistas sem nenhuma cerimônia e os põe a andar pra lá pra cá, como que à espera de uma história, até que o acaso os una numa cena final apoteótica. E bota apoteótica nisso.


No filme, os fictícios Rick Dalton (Leonardo DiCaprio) e Cliff Booth (Brad Pitt) convivem e contracenam com personagens históricos, como Steve McQueen, Mama Cass e Michele Philips (do The Mamas & The Papas), Bruce Lee , Charles Manson e, claro, Roman Polanski e Sharon Tate.

A mistura personagens reais e fictícios tendo fatos históricos de fundo já foi feita muitas vezes, o que não significa que seja fácil. Tarantino faz isso com maestria e toma todas as liberdades possíveis, inclusive repetindo o mesmo truque de "Bastardos Inglórios", em que reescreve a história numa espécie de "wishful thinking" cinematográfico.


Mas não é pra isso mesmo que serve o cinema?

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