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Divagações genealógicas de agosto

Não sei o que significa, mas ando muito intrigado com o número de pessoas que têm pronome combinando com o sobrenome. Dias desses a pandemia levou o jornalista Rodrigo Rodrigues, mas deixou diversos duplos homônimos (tenho notícia de mais dois). Também conheço a Fernanda Fernandes e o Felipe Felipetto.

Sei que isso vem dos tempos ancestrais, a significar que o prenome era filho do sobrenome, embora as coisas tenham se modificado no ocidente, desde Galileo Galilei. É que, por exemplo, o Felipetto pai se chama José, tendo batizado o filho com nome assim harmônico só por questão de estética.

Entre os árabes as coisas não se modificaram. É preciso destacar a figura do advogado e professor Mansur Teófilo Mansur como prova viva da preservação dos costumes. Ainda espero encontrar um Tufik Tufik Tufik, que será filho do Tufik e neto do Tufik, isso se o imperador de Constantinopla não proibir a tripla repetição.

O tema tem me ocupado as noites insones, mais que a pandemia. Fico a imaginar que eu poderia ter sido batizado como Lopo Lopes, embora meu avô fosse Ernani Lopes, como também sou. Ou Buco Buchmann. Ou se ainda dá tempo de adotar uma criança que batizarei de Ernana, agora que vi no caixa do banco o crachá de uma jovem chamada Pedra.

Ernana Ernani Lopo Lopes Buco Buchmann está me parecendo nome de alta sonoridade. Algo no padrão da nobreza britânica, embora aqui neste pedaço os assuntos referentes a famílias reais se restrinjam ao Roberto Muggiati.

De minha parte, o único rei com quem troquei algumas palavras foi Pelé, que se chama Edson e é filho do Dondinho. Falamos sobre assuntos que nos são dolorosos e ficamos deveras emocionados. Sua majestade e eu sofremos dores abissínias com problemas no fêmur, o que nos faz parte da mesma confraria.

Mas o que isso tem a ver com o Charles Charola, tremendo maconheiro que anda desaparecido, não faço a menor ideia.

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