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  • Roberto Muggiati

Brindemos ao bebop do Bird!

Updated: Jul 4


Gente, chega de hipocrisia, ouvidos ruins e falta de emoção, já dizia André Breton, o profeta do amour fou: “La beauté sera convulsive ou ne sera pas”. Stravinsky que se foda. A música do século 20 foi feita por um negro nascido há cem anos em Kansas City, Charlie ‘Bird’ Parker.


Ouvindo sua grande fase, gravada na Savoy (Nova York) e na Dial (Los Angeles) entre setembro de 1944 e dezembro de 1947, voltei a minhas elucubrações jazzísticas com Parker iniciadas na Curitiba dos anos 50, mas só agora, aos 82 anos, me dei conta da importância vital de Parker para o nosso tempo.


Allen Ginsberg chegou lá antes, nos anos 80: “Charlie Parker decolou no embalo da gíria de rua dos negros num sopro de saxofone que derrubou os arranha-céus de Nova York. Parker mudou o ritmo do jazz de raiz, transformando a cadência de romances em prosa e poesia lírica, alterando os ritmos do discurso branco, sincopando o metrônomo mecanicista do pensamento moderno.”


Uma cena comovente do filme Bird de Clint Eastwood. Num bairro residencial de sonho da Los Angeles do pós-guerra, Charlie Parker ensaia uma visita ao seu ídolo Igor Stravinsky, que mora numa daquelas casas pacatas sem muro com gramado na frente. Toca a campainha. A mulher do velho Igor vê pelo olho mágico. A esta altura Parker já desistiu e foi embora. Stravinsky pergunta: “Quem era?” E a mulher: “Nada. Apenas um negro perdido na noite...”

Duas da época, com Miles Davis ao trompete e Max Roach na bateria.

• Bird of Paradise (All the Things You Are)

https://www.youtube.com/watch?v=3r4hs-yL6Zw


Embraceable You

https://www.youtube.com/watch?v=_GAMeCJR478

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