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  • ernanibuchmann

Bloomsday 2020


Este é o início do artigo/ensaio Ulysses: traduções/tradições/transações/traições, sobre a obra magna de James Joyce. Infelizmente, o blog não comporta um texto de 20 mil caracteres, Quem estiver interessado, pode deixar seu e-mail nos comentários que enviarei o trabalho em versão integral.


Ulysses: traduções/tradições/transações/traições

Neste ano comemoramos 75 anos da primeira tradução em espanhol do Ulysses, de James Joyce. A história é curiosa. Consta que o governo argentino, às vésperas da primeira passagem de Juán Perón pelo poder, andava interessado em promover uma tradução de Ulysses na língua pátria.


Como é comum nos governos, mandou formar comissão, para a qual, diz a lenda, pode ter sido nomeado, entre outros, Jorge Luís Borges. Certo dia, a comissão reunida, alguém comunicou que já havia uma edição argentina da obra, surpreendendo o grupo. O autor era um professor autodidata, desconhecido, chamado J. Salas Subirat.


Subirat traduzia e escrevia manuais da área de seguros. Por conhecer a língua inglesa, deu-se ao trabalho. A comissão desapareceu, mas o trabalho dele veio à tona. Em meio a inúmeros desafios propostos pela tradução, Subirat abriu o livro com uma apresentação das suas principais dificuldades.


Em diversas passagens, transportou a linguagem das ruas de Dublin, materializadas por Joyce, para a língua do povo de Buenos Aires, tanto o dialeto lunfardo quanto o vesre, a ciência popular de trocar o começo pelo fim das palavras. Acertou bastante, assim como errou diversas vezes. O próprio Borges afirmou isso, ele que mais tarde mostrou admiração pela obra de Joyce.


Os espanhóis, que durante muitos anos foram obrigados a se valer a tradução argentina, jamais foram unânimes sobre a tradução de Salas Subirat. Hoje existem outras traduções em espanhol à venda na Espanha, além de uma em galego e outra em catalão. Há ainda uma anterior em catalão, realizada nos tempos de Franco, não publicada. Falaremos delas mais tarde.


Mas, a questão que persiste é por que Ulysses é tão valorizado pela comunidade acadêmica. De todos os personagens literários do mundo ocidental, apenas Don Quixote pode se comparar a Leopold Bloom, o protagonista de Ulysses. Excetuando-se Jesus Cristo, se o considerarmos personagem literário e não histórico.

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