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  • Roberto Muggiati

Algazarra no alpendre


Aconteceu em 1962, aquele meio-ano muito louco que passei em Curitiba, entre dois anos de Paris e três anos de Londres. Subíamos a Alameda Cabral, eu e o Ivanzinho do Amaral. Não chegávamos a ser amigos, mas naquela noite a intenção delituosa nos unia. Íamos encontrar duas irmãs numa daquelas casas mais antigas num alto de terreno, com escadinha que cortava um jardim.


Entrar na casa, nem pensar. O namoro seria no alpendre, fracamente iluminado. Aquelas irmãs eram, digamos, mais dadivosas do que o comum das donzelas curitibanas. Bonitas de rosto e de corpo, e bem diferentes: a do Ivan mais morena, a minha clarinha.


Os pares se entrelaçaram logo nos beijos e amassos. Mas não deu nem para o aquecimento. Em menos de um minuto, a megera da tia das moçoilas adentra no alpendre subindo nas tamancas: “Seus vagabundos, ordinários! Isso aqui é uma casa de família! Ponham-se já daqui pra fora, seus cafajestes!!!”


Ao final da frase já estávamos no olho da rua. Descemos a Cabral com o rabo entre as pernas em direção ao centro da cidade. Dava ainda para pegar a sessão das oito no Cine Avenida. O filme em cartaz tinha tudo a ver: Os cafajestes.

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