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  • ernanibuchmann

A perda de Juarez Machado


Quando eu era criança o joinvillense mais famoso era o Senador Carlos Gomes de Oliveira, eleito pelo PTB em dobradinha com Getúlio Vargas, candidato à presidência da República. Naquela eleição meu pai foi candidato a vereador, com o slogan “Um soldado de Getúlio e do PTB”. Os dois cabeças de chapa se elegeram, o velho Arino ficou em honrosa 3ª suplência.

Anos depois, já em Curitiba, o mais conhecido joinvillense do mundo passou a ser Juarez Machado. Nos primórdios da televisão paranaense, Juarez era cenógrafo, roteirista, ator, pintor e gênio. Juarez sempre foi fiel à cidade em que nasceu, morando em Curitiba, no Rio de Janeiro e, há décadas, em Paris. Tanto que, em Joinville, montou em uma casa de enxaimel o Instituto Juarez Machado, joia dedicada à cultura.

Eis que Juarez e a conterrânea Melina Mosimann se encontraram, há 15 anos. Ambos sobreviventes de outras relações, ele uns 25 anos mais velho que ela. Pois Melina morreu esta semana, vítima de câncer, aos 53 anos. Não a conheci, mas imagino como Juarez esteja se sentindo.

Ninguém escapa da busca pelos tempos perdidos, Proust dixit. Há alguns meses, a Revista Fecomércio PR publicou uma reportagem comigo e com a minha ex-colega de Grupo Escolar, Maria Elisabeth Nascimento, escrita pela também joinvillense Joana Neitch Ioppi, jornalista, e fotografada pelo designer joinvillense Francisco Nascimento. Para quem tiver interesse, o link está aí: https://issuu.com/fecomerciopr/docs/num_133_web/58.

A nossa família morou durante seis anos na Rua Lages, onde fica o IJM e onde foi o velório. Se isso acontecesse nos antiquíssimos anos 50, quem sabe um menininho olhasse aquele cortejo sem saber quem foi Melina, ignorasse Juarez. Só o correr da vida iria fazer com que encontrasse o sentido daquilo. São as tais raízes, correto? O fato é que fui dormir muito triste.

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